Nosso Blog

Seu gestor pode ser o maior risco psicossocial da empresa. E a NR-01 agora exige que você mapeie isso.

Há um dado que a maioria das lideranças corporativas não quer encarar:

Segundo a pesquisa Engaja S/A 2025, realizada pela Flash em parceria com a FGV EAESP, 78% dos executivos e gestores intermediários relatam algum nível de ansiedade, evidenciando uma sobrecarga importante entre as lideranças. No mesmo estudo, cerca de 20% dos trabalhadores afirmam conviver diariamente com sintomas de ansiedade, reforçando que o sofrimento emocional também está presente em toda a força de trabalho.

Mas não é sobre saúde mental da liderança que este artigo fala — pelo menos não só, sobre isso.

É sobre o fato de que um líder emocionalmente sobrecarregado, despreparado ou com comportamentos nocivos não é apenas um problema de convivência. Com a NR-01 atualizada, ele é um risco ocupacional documentável — e a empresa que não mapeia isso está exposta a autuação, ação trabalhista e perda de talentos.

O que a norma diz sobre liderança e risco psicossocial ?

A NR-01, em sua versão atualizada, exige que os Fatores de Risco Psicossociais Relacionados ao Trabalho sejam identificados e gerenciados. Entre os fatores reconhecidos pela literatura científica e pelo Ministério do Trabalho estão:

  • Liderança inadequada ou ausente — falta de apoio, feedback negativo constante, favorecimento explícito

  • Conflitos interpessoais no trabalho — inclusive entre líder e liderado

  • Assédio moral — explícito ou velado, incluindo humilhação por metas e exposição pública

  • Falta de autonomia e controle sobre o próprio trabalho

  • Exigências incompatíveis com os recursos disponíveis — metas inatingíveis, sobrecarga crônica

O foco da norma não é o indivíduo — é o cargo, o ambiente e o sistema. Isso muda tudo: a empresa não pode mais alegar que ‘fulano é assim’ como defesa. Se o comportamento do gestor gera risco documentado, é risco da organização.

Os três perfis de liderança que mais geram risco psicossocial

Na prática, existem três padrões de liderança que aparecem repetidamente nos mapeamentos de risco psicossocial — cada um com impacto diferente sobre a equipe:

Perfil Comportamento típico Impacto na equipe Sinal nos dados
Líder Delega mal, não dá Equipe sem direção, Alta rotatividade +
sobrecarregado feedback, está sempre em crise. Não mau-caráter — está afogado. retrabalho alto, decisões é por tentativa e erro absenteísmo curto
Líder controlador Microgerencia, desconfia, não delega. presença, não resultado. Baixa autonomia, medo Mede de errar, desmotivação silenciosa Baixo engajamento + presenteísmo
Líder intimidador Usa vergonha, pressão pública, comparações. Pode ter bons resultados no curto prazo. Alta ansiedade, silêncio organizacional, turnover de talentos Afastamentos por saúde mental + denúncias

Nenhum desses perfis é necessariamente intencional. Mas todos geram passivo — e agora, passivo mensurável pela norma.

O paradoxo do líder intoxicado

Muito se fala em líderes tóxicos. Pouco se fala em líderes intoxicados — aqueles que adoecem pela pressão que recebem de todos os lados e, a partir disso, passam a pressionar suas equipes de forma cada vez mais disfuncional.

O dado da FGV é revelador: se 78% dos gestores estão com ansiedade elevada, parte significativa da toxicidade organizacional não é escolha — é consequência. Um sistema que não cuida dos seus gestores produz gestores que não conseguem cuidar das suas equipes.

Isso tem um nome na literatura de saúde ocupacional: transmissão de estresse por cascata. O estresse sobe pela pressão corporativa, desce pela liderança e pousa nas equipes — onde se transforma em afastamento, rotatividade e custo.

Dicas práticas: como mapear o risco da liderança ?

Reconhecer que a liderança pode ser fonte de risco não é punir o gestor. É fazer gestão de risco com responsabilidade. Veja como começar:

1. Inclua avaliação 360° nos instrumentos de mapeamento psicossocial: pergunte às equipes sobre percepção de apoio da liderança, clareza de expectativas, segurança

para errar e qualidade do feedback. Dados anônimos por setor revelam padrões sem expor indivíduos.

2. Analise o turnover por gestor, não apenas por área: uma área pode ter rotatividade alta, mas se você não sabe se a rotatividade se concentra sob determinado líder, está gerenciando o sintoma sem tratar a causa.

3. Crie espaços de escuta segura para gestores: o dado de 78% de ansiedade entre líderes indica que eles também precisam de suporte. Grupos de troca, mentoria e conversas estruturadas com RH reduzem a transmissão de estresse por cascata.

4. Capacite líderes para reconhecer seus próprios sinais de esgotamento: um gestor que não reconhece que está sobrecarregado não pode modular seu comportamento. Treinamentos de autoconsciência e regulação emocional têm impacto direto no clima das equipes.

5. Documente a capacitação da liderança: a NR-01 exige evidência de ações preventivas. A capacitação dos gestores sobre riscos psicossociais é uma ação preventiva documentável — e protege a empresa juridicamente.

Mapear o risco da liderança não é atacar o gestor. É proteger a empresa — e também ele.

O que acontece quando a empresa não faz isso ?

Os riscos são concretos:

  • Passivo trabalhista: ações por assédio moral e dano existencial têm sido deferidas com base em comportamentos de liderança que a empresa alegava ‘não saber’. Com o PGR atualizado exigindo mapeamento de relações interpessoais, essa alegação perde força.

  • Perda de talentos: profissionais de alta performance são os primeiros a pedir demissão de líderes ruins. O custo de reposição de um profissional sênior gira entre 50% e 200% do salário anual — sem contar o conhecimento que vai junto.

  • Reputação de marca empregadora: pesquisas de mercado de trabalho mostram que o comportamento da liderança direta é o fator mais citado em demissões voluntárias. Isso aparece no Glassdoor, no GPTW e nas conversas que você não ouve.

Como a HarmonizaQV trata a liderança no processo ?

No nosso Diagnóstico de Saúde Organizacional, a liderança não é avaliada para punição. É avaliada como variável de risco — com a mesma objetividade com que avaliamos condições físicas ou carga de trabalho. Cruzamos os dados da pesquisa psicossocial com os indicadores de rotatividade, absenteísmo e afastamentos por setor para identificar padrões — e não suposições.

Na Jornada das Ações, os planos de desenvolvimento da liderança são construídos junto com os próprios gestores — não impostos. A adesão é parte do resultado.

Na Governança Corporativa, monitoramos a evolução dos indicadores de clima por área ao longo do tempo, permitindo que a diretoria enxergue se as ações estão funcionando — ou se o risco persiste.

O comportamento dos seus gestores está mapeado como variável de risco?

Fale com a HarmonizaQV e entenda como transformar esse diagnóstico em decisão de gestão — antes que o passivo se torne processo.

Facebook
Pinterest
LinkedIn

Confira outros artigos

O que uma empresa chama de absenteísmo pode ser, na verdade, cinco fenômenos diferentes
GESTÃO DE SAÚDE CORPORATIVA
Marcela Pazetto

O que uma empresa chama de absenteísmo pode ser, na verdade, cinco fenômenos diferentes

O absenteísmo costuma ser tratado como um indicador único: divide-se o tempo não trabalhado pelo tempo previsto e chega-se a um percentual. Os métodos de cálculo variam, e a taxa agregada depende de quais ausências o indicador inclui. Dentro de cada método, a aritmética está correta; o problema é epistemológico. Organizações com a mesma taxa agregada podem estar descrevendo realidades operacionais bem diferentes: uma concentra afastamentos prolongados, outra faltas curtas e recorrentes, uma terceira barreiras de deslocamento, uma quarta ausências ligadas ao cuidado de terceiros. Ao juntar esses eventos heterogêneos sob um único rótulo, o indicador perde poder explicativo justamente onde a gestão mais precisaria dele: na decisão sobre onde intervir. Absenteísmo é uma manifestação, não uma causa O absenteísmo funciona como um sintoma agregado, que pode vir de mecanismos causais muito diferentes entre si: Incapacidade temporária do próprio trabalhador: doença, acidente, procedimento, tratamento ou recuperação. Responsabilidade de cuidado: acompanhamento de filhos, idosos, pessoas com deficiência ou familiares adoecidos. Barreiras territoriais: alagamento, interrupção de transporte, violência, distância ou evento climático. Organização e relações de trabalho: conflitos, exaustão, baixa previsibilidade de escala, jornada excessiva, recuperação insuficiente ou ambiente psicossocial inadequado. Processos administrativos e comportamentais: faltas não justificadas, falhas de escala, ruído de comunicação ou conflito de regras. Essas categorias não se excluem. Um único episódio pode combinar o cuidado de um dependente adoecido, a privação de sono da noite anterior, um território com transporte precário e uma escala pouco flexível. A realidade não respeita os limites departamentais pelos quais os relatórios de RH a organizam. Da taxa de absenteísmo à matriz da indisponibilidade Propomos uma estrutura analítica mais granular: a matriz da indisponibilidade laboral. É uma proposta conceitual de investigação interna do Observatório de Saúde Corporativa do Espírito Santo, não um método validado nem já implementado, e tampouco uma classificação oficial ou consolidada na literatura. Indisponibilidade laboral é um conceito exploratório, mais amplo que o absenteísmo convencional, porque inclui situações de limitação funcional mesmo quando o trabalhador está presente. As oito dimensões da matriz não são oito causas distintas nem categorias mutuamente exclusivas: um mesmo episódio pode ocupar várias delas. Elas se organizam em quatro eixos. No eixo da extensão, há a indisponibilidade integral (ausência de toda a jornada) e a parcial (atraso, saída antecipada ou redução temporária). No eixo da duração, há a prolongada (afastamento que demanda reintegração estruturada). No eixo da capacidade funcional, há a funcional (presença com limitação para tarefas específicas). E, no eixo dos contextos ou barreiras, há a relacional (impedimento associado à rede de cuidado), a territorial (barreira de mobilidade ou localização), a organizacional (produzida pelo próprio desenho de escala ou gestão) e a assistencial (perda de jornada para acessar serviços de saúde). Essa abertura conceitual pode orientar hipóteses e apoiar a escolha de intervenções, desde que os fatores associados a cada dimensão sejam investigados e considerados no contexto organizacional. O risco de intervir sobre o indicador errado Imagine três empresas. A primeira vê as ausências crescerem e reforça campanhas de autocuidado, mas o problema dominante pode ser a dificuldade de acesso à rede pediátrica, que leva responsáveis a perder jornadas inteiras. A segunda intensifica o controle de presença quando o crescimento está concentrado em uma unidade atingida por chuvas e interrupção de transporte. A terceira atribui as faltas à “baixa responsabilidade”, quando a decomposição revela jornada suplementar sistemática, baixa previsibilidade de escala e rotatividade elevada como fatores estruturais. Nos três casos, a intervenção seria tecnicamente correta para um fenômeno que não é o dominante. É um erro de diagnóstico gerencial: agir sobre o indicador observado (a taxa agregada) em vez de identificar o mecanismo que o produz (a dimensão de indisponibilidade predominante). O que precisa ser registrado, e o que não precisa A empresa não precisa, e não deve, ter acesso a detalhes clínicos que a gestão não exige. Precisa de categorias suficientes para gerir: duração, frequência, unidade, função, turno, tipo geral de ausência, previsibilidade, relação com cuidado de terceiros, barreira territorial, recorrência, impacto sobre a equipe e padrão de retorno ou reincidência. Os agrupamentos devem ser amplos o bastante para proteger a privacidade individual; a granularidade analítica não pode ser obtida às custas da identificabilidade das pessoas. Esse registro deve observar a LGPD (Lei 13.709/2018), em especial os princípios da finalidade, da necessidade e da segurança (art. 6º). Dados de saúde são sensíveis (art. 5º, II), e seu tratamento só pode ocorrer nas hipóteses do art. 11, o que exige finalidade específica, hipótese legal adequada, coleta limitada ao necessário e medidas de proteção. Para a gestão, convém priorizar informações não clínicas e agregadas. O dado sobre cuidado que raramente aparece A PNAD Contínua investiga, além do trabalho remunerado, o cuidado de pessoas e os afazeres domésticos, e mostra que essas responsabilidades se distribuem de forma desigual entre mulheres e homens na organização do tempo das famílias brasileiras. Em 2022, entre as pessoas ocupadas, as mulheres dedicaram em média 17,8 horas semanais a afazeres domésticos e/ou cuidados de pessoas, contra 11,0 horas dos homens (IBGE, 2023). Isso não autoriza concluir que toda ausência de trabalhadoras venha do cuidado, o que seria uma extrapolação indevida de um dado populacional para inferências individuais. Autoriza, sim, reconhecer que a disponibilidade laboral depende de mais fatores do que a saúde do próprio empregado. A pergunta estratégica que a taxa global não responde Uma taxa agregada diz quanto tempo foi perdido. Não diz por quê, por quem, em qual contexto, se era evitável, que resposta seria adequada, nem que efeito a ausência teve sobre quem permaneceu trabalhando. A função de um observatório é trocar a contagem indiferenciada por uma leitura causalmente prudente e operacionalmente útil. Quando fenômenos distintos recebem o mesmo nome, a organização para de investigar causas e passa a administrar um total, o que é gestão de sintoma, e não de risco. Avaliação das fontes citadas neste artigo Fonte citada O que a fonte permite afirmar Limite metodológico / o que ela não permite concluir PNAD Contínua (IBGE): Outras formas de trabalho 2022 Pesquisa por amostra probabilística

Leia mais »
O Brasil produz muitos dados sobre trabalho. Ainda produz pouca inteligência sobre a saúde de quem trabalha.
ESTRATÉGIA E TECNOLOGIA
Helenice Martins

O Brasil produz muitos dados sobre trabalho. Ainda produz pouca inteligência sobre a saúde de quem trabalha.

O Brasil não sofre de escassez de dados sobre emprego, previdência, acidentes, doenças, assistência à saúde e características demográficas da população trabalhadora. O que falta é unidade de finalidade: cada sistema de informação foi desenhado para operacionalizar um objetivo específico, seja administrativo, assistencial, de vigilância ou estatístico, e não para reconstruir trajetórias individuais. Daí uma assimetria estrutural. É tecnicamente mais fácil contar eventos isolados, como uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), um benefício previdenciário, uma notificação compulsória ou um atendimento assistencial, do que compreender como esses eventos se relacionam ao longo da vida laboral de uma mesma pessoa. O desafio da saúde do trabalhador hoje não é produzir mais dados. É transformar dados fragmentados em inteligência capaz de orientar prevenção, gestão e decisão. O problema não está na ausência de dados, mas na falta de interoperabilidade conceitual. O emprego formal é observado pelos sistemas trabalhistas. Os acidentes comunicados aparecem nos registros previdenciários. Parte dos agravos relacionados ao trabalho é notificada nos sistemas de vigilância em saúde. A utilização assistencial pode ser observada no Sistema Único de Saúde (SUS), na saúde suplementar ou em sistemas corporativos internos. A população, o trabalho e as características socioeconômicas aparecem nas pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cada uma dessas fontes foi construída para cumprir uma finalidade específica e, por isso, tem população de referência, critérios de inclusão, periodicidade de atualização, unidade de análise e objetivos próprios. Compará-las diretamente, sem harmonização metodológica, pode produzir interpretações equivocadas. O desafio, então, não é só integrar bancos de dados. É entender que diferentes sistemas descrevem dimensões distintas da realidade. Por que um registro administrativo não representa toda a realidade Registros administrativos existem para viabilizar processos institucionais, jurídicos ou assistenciais. Não foram concebidos para reconstruir, de forma completa, a história de adoecimento de uma população. As fontes citadas aqui têm naturezas distintas, e cada natureza impõe seus próprios limites de interpretação. A CAT e os benefícios previdenciários são registros administrativos. O Sinan integra a vigilância epidemiológica. A PNAD Contínua é uma pesquisa amostral. A CAT, por exemplo, registra uma comunicação formal relacionada a acidente ou doença ocupacional e depende de que essa comunicação seja emitida. Pelo art. 22 da Lei nº 8.213/1991, a obrigação de comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social é da empresa ou do empregador doméstico. Na falta da comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, sem que isso exima a empresa da responsabilidade pelo descumprimento da obrigação. Os benefícios previdenciários registram concessões feitas segundo critérios administrativos e legais de elegibilidade, e não a totalidade dos eventos relacionados à saúde do trabalhador. O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) reúne notificações compulsórias definidas pela vigilância epidemiológica. No Espírito Santo, porém, o registro seguiu outro caminho: segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SESA-ES), o e-SUS Vigilância em Saúde (e-SUS VS) substituiu o Sinan no estado; em 2023, o Sinan ainda era utilizado por outros estados. É no e-SUS VS que os serviços de saúde, públicos ou privados, devem notificar acidentes e doenças relacionados ao trabalho, e essa notificação não exclui a emissão da CAT, pois os dois documentos têm finalidades distintas. A Nota Técnica NESIS/SESA nº 03/2026 trata o e-SUS VS como a ferramenta de registro em tempo real das notificações e estabelece travas automáticas para os prazos de registro retroativo. Essa diferença resume o argumento do artigo: uma mesma finalidade, a notificação compulsória, pode ser operada por sistemas distintos em estados distintos, o que exige conhecer a origem de cada dado antes de qualquer comparação. Já a PNAD Contínua investiga ocupação, jornada, rendimento, afazeres domésticos e cuidado de pessoas por meio de uma pesquisa amostral, construída segundo princípios estatísticos próprios. Entre o fenômeno real e o registro disponível para análise existe uma cadeia de dependências. O problema precisa ser percebido pelo trabalhador. O trabalhador precisa acessar um serviço de saúde. O profissional precisa reconhecer aquele evento. A instituição deve classificá-lo corretamente. O evento precisa atender aos critérios formais de inclusão da base. O registro deve ser preenchido adequadamente. A informação precisa chegar ao sistema. E, por fim, esse sistema deve disponibilizar o dado para análise. Cada etapa dessas é uma oportunidade de perda informacional. Do ponto de vista epidemiológico, isso configura diferentes mecanismos de viés de detecção e subnotificação. Ou seja: a ausência de registro não pode ser lida, automaticamente, como ausência do fenômeno. A trajetória que os sistemas fragmentam Pense num trabalhador que começa a sentir dor persistente. No início, ele adapta por conta própria a forma de executar algumas tarefas, passa a tomar analgésicos sem orientação, evita as atividades mais pesadas, tem pequenas faltas, procura atendimento em momentos esparsos e recebe orientações diferentes em serviços diferentes. Meses depois vem o primeiro afastamento formal. Daí em diante pode haver mudança de função, limitação laboral, reabilitação ou até aposentadoria por incapacidade. Cada um desses eventos pode estar registrado em algum lugar. Mas dificilmente estarão conectados entre si. O sistema de folha enxerga o absenteísmo. O prontuário assistencial registra consultas. A operadora de saúde registra procedimentos. O INSS registra benefícios. A empresa registra mudanças de função. A vigilância epidemiológica pode registrar um agravo. Cada sistema descreve apenas um capítulo dessa história, e a inteligência em saúde precisa reconstruir o livro inteiro. É por isso que análises centradas só no afastamento acabam ignorando justamente a fase em que a prevenção seria mais efetiva. Reconstituir esse percurso para uma mesma pessoa exige vincular registros individuais de diferentes sistemas, o que depende de identificadores comuns, de base legal e de salvaguardas para o tratamento de dados pessoais de saúde. A análise de dados agregados cumpre outra função: identifica padrões e diferenças entre grupos, setores e territórios, mas não reconstitui percursos individuais. Cobertura informacional desigual entre grupos de trabalhadores Nem todos os trabalhadores deixam a mesma quantidade de rastros informacionais. Empregados formais costumam aparecer ao mesmo tempo em vários registros administrativos. Já quem

Leia mais »

Como podemos ajudar sua empresa hoje?

Somos especialistas em implementar a cultura do cuidado em empresas e negócios!