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A jornada dupla não é tema de RH. É risco operacional que você ainda não mapeou.

As mulheres continuam dedicando significativamente mais tempo aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas do que os homens, mesmo quando estão inseridas no mercado de trabalho. Em 2022, elas dedicavam, em média, 26,5 horas semanais a essas atividades, contra 16,8 horas dos homens

Para milhões de mulheres brasileiras, a jornada de trabalho não começa quando chegam à empresa. Ela começa em casa. Dados do IBGE mostram que, mesmo inseridas no mercado de trabalho, as mulheres continuam dedicando muito mais tempo que os homens aos cuidados com a casa e com outras pessoas. Esse acúmulo de responsabilidades influencia descanso, saúde mental, produtividade e qualidade de vida.

Antes de colocar o crachá, já cuidaram de criança, prepararam café da manhã, resolveram imprevisto escolar ou acompanharam consulta médica. Ao final do expediente, repetem o ciclo — com mais frequência, com mais intensidade.

Jornada dupla não é assunto de diversidade e inclusão. É fator de risco psicossocial documentado pela NR-01 — e um dos principais preditores de afastamento em mulheres na faixa dos 30 aos 45 anos.

Se a sua empresa tem mulheres nessa faixa etária — e quase certamente tem — este artigo é sobre um risco que você provavelmente não mapeou.

Os dados que a empresa não associa à jornada dupla

A jornada dupla raramente aparece nomeada nos relatórios de saúde corporativa. Mas seus efeitos aparecem o tempo todo — atribuídos a outras causas:

  • Absenteísmo por acompanhamento de familiar (aparece como ‘falta justificada’, não como risco)

  • Afastamentos por esgotamento, insônia crônica e burnout em mulheres entre 32 e 44 anos

  • Alta rotatividade voluntária de profissionais mulheres em cargos de média liderança — exatamente quando seriam promovidas

  • Queda de engajamento após o retorno da licença-maternidade — detectada em pesquisas de clima, mas raramente conectada à carga acumulada

  • Maior sinistralidade em especialidades como psicologia, ginecologia e clínica geral em grupos femininos

Se você está lendo isso e já identificou algum desses padrões na sua empresa — eles não são coincidência. São dados de um risco não gerenciado.

Comparativo: o que empresas estruturadas já fazem

Dimensão Empresa sem gestão (maioria) Empresa com gestão ativa
Diagnóstico Nenhum mapeamento específico de jornada dupla Avaliação de carga doméstica no instrumento psicossocial — contextualizada por fase de vida
Flexibilidade Horário rígido, presença obrigatória sem critério claro física Política de flexibilidade estruturada — com critérios e avaliação de impacto
Retorno de licença Sem protocolo — trabalhadora volta ao mesmo ritmo de antes Programa de reintegração gradual com conversa estruturada com o gestor
Liderança feminina Alta rotatividade na média liderança sem causa identificada Mapeamento de barreiras específicas e plano de aceleração com suporte
Saúde da cuidadora Nenhum apoio específico Benefícios conectados ao cuidado de dependentes — creche, assistência psicológica, suporte jurídico

O impacto na liderança feminina: o dado que as empresas perdem

Existe um fenômeno documentado que acontece entre os 35 e 42 anos de profissionais mulheres: exatamente quando elas acumulariam experiência suficiente para assumir posições de liderança sênior, a sobrecarga da jornada dupla torna o custo pessoal da ascensão insuportável.

O resultado: pedidos de demissão voluntária, migração para trabalho freelance ou escolha deliberada de não crescer na hierarquia para preservar equilíbrio. A empresa perde o talento. E geralmente explica como ‘ela preferiu ficar com a família’.

O que a empresa não calcula: o custo de reposição desse talento, o conhecimento que vai junto, o impacto no time que ela liderava — e a mensagem implícita para todas as outras mulheres da empresa sobre o que acontece com quem cresce.

Dicas práticas: ações que fazem diferença real

1. Inclua a pergunta sobre jornada de cuidado no instrumento de mapeamento psicossocial: ‘Além do trabalho, você é responsável principal pelo cuidado de filhos, pais idosos ou familiares com necessidades especiais?’ Dados anônimos por setor revelam concentração de risco.

2. Crie um protocolo de retorno de licença-maternidade e licença cuidador: uma conversa estruturada de 30 minutos com o gestor direto, ajuste de metas no primeiro mês e check-in em 30, 60 e 90 dias faz diferença mensurável no reengajamento.

3. Revise sua política de flexibilidade com critério: não basta oferecer home office. É preciso verificar se a flexibilidade está distribuída de forma equânime entre homens e mulheres — ou se informalmente só as mulheres a utilizam (e são avaliadas negativamente por isso).

4. Monitore o turnover voluntário de mulheres em média liderança separado do turnover geral: se a taxa é mais alta nesse grupo, há um dado de risco não gerenciado.

5. Ofereça assistência psicológica acessível e sem estigma. A mulher com jornada dupla e esgotamento raramente pede ajuda — o serviço precisa chegar até ela.

É sobre criar condições reais para que as que já estão lá possam se manter — e crescer.

A conexão com o Diagnóstico de Saúde Organizacional da HarmonizaQV

No nosso diagnóstico, a jornada de cuidado é uma variável que entra como contexto de vida — cruzada com os dados de saúde, afastamento e engajamento por faixa etária e por gênero. Isso nos permite identificar quais setores têm maior concentração de risco real e onde as ações têm maior retorno.

Na Jornada das Ações, os planos para esse público incluem desde ajuste de política de flexibilidade até capacitação de líderes para conduzir conversas sobre carga de cuidado sem julgamento.

Você sabe qual é o índice de rotatividade voluntária de mulheres entre 32 e 44 anos na sua empresa?

Fale com a HarmonizaQV e descubra o que os dados de jornada dupla estão escondendo — antes que os talentos saiam pela porta.

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O que uma empresa chama de absenteísmo pode ser, na verdade, cinco fenômenos diferentes
GESTÃO DE SAÚDE CORPORATIVA
Marcela Pazetto

O que uma empresa chama de absenteísmo pode ser, na verdade, cinco fenômenos diferentes

O absenteísmo costuma ser tratado como um indicador único: divide-se o tempo não trabalhado pelo tempo previsto e chega-se a um percentual. Os métodos de cálculo variam, e a taxa agregada depende de quais ausências o indicador inclui. Dentro de cada método, a aritmética está correta; o problema é epistemológico. Organizações com a mesma taxa agregada podem estar descrevendo realidades operacionais bem diferentes: uma concentra afastamentos prolongados, outra faltas curtas e recorrentes, uma terceira barreiras de deslocamento, uma quarta ausências ligadas ao cuidado de terceiros. Ao juntar esses eventos heterogêneos sob um único rótulo, o indicador perde poder explicativo justamente onde a gestão mais precisaria dele: na decisão sobre onde intervir. Absenteísmo é uma manifestação, não uma causa O absenteísmo funciona como um sintoma agregado, que pode vir de mecanismos causais muito diferentes entre si: Incapacidade temporária do próprio trabalhador: doença, acidente, procedimento, tratamento ou recuperação. Responsabilidade de cuidado: acompanhamento de filhos, idosos, pessoas com deficiência ou familiares adoecidos. Barreiras territoriais: alagamento, interrupção de transporte, violência, distância ou evento climático. Organização e relações de trabalho: conflitos, exaustão, baixa previsibilidade de escala, jornada excessiva, recuperação insuficiente ou ambiente psicossocial inadequado. Processos administrativos e comportamentais: faltas não justificadas, falhas de escala, ruído de comunicação ou conflito de regras. Essas categorias não se excluem. Um único episódio pode combinar o cuidado de um dependente adoecido, a privação de sono da noite anterior, um território com transporte precário e uma escala pouco flexível. A realidade não respeita os limites departamentais pelos quais os relatórios de RH a organizam. Da taxa de absenteísmo à matriz da indisponibilidade Propomos uma estrutura analítica mais granular: a matriz da indisponibilidade laboral. É uma proposta conceitual de investigação interna do Observatório de Saúde Corporativa do Espírito Santo, não um método validado nem já implementado, e tampouco uma classificação oficial ou consolidada na literatura. Indisponibilidade laboral é um conceito exploratório, mais amplo que o absenteísmo convencional, porque inclui situações de limitação funcional mesmo quando o trabalhador está presente. As oito dimensões da matriz não são oito causas distintas nem categorias mutuamente exclusivas: um mesmo episódio pode ocupar várias delas. Elas se organizam em quatro eixos. No eixo da extensão, há a indisponibilidade integral (ausência de toda a jornada) e a parcial (atraso, saída antecipada ou redução temporária). No eixo da duração, há a prolongada (afastamento que demanda reintegração estruturada). No eixo da capacidade funcional, há a funcional (presença com limitação para tarefas específicas). E, no eixo dos contextos ou barreiras, há a relacional (impedimento associado à rede de cuidado), a territorial (barreira de mobilidade ou localização), a organizacional (produzida pelo próprio desenho de escala ou gestão) e a assistencial (perda de jornada para acessar serviços de saúde). Essa abertura conceitual pode orientar hipóteses e apoiar a escolha de intervenções, desde que os fatores associados a cada dimensão sejam investigados e considerados no contexto organizacional. O risco de intervir sobre o indicador errado Imagine três empresas. A primeira vê as ausências crescerem e reforça campanhas de autocuidado, mas o problema dominante pode ser a dificuldade de acesso à rede pediátrica, que leva responsáveis a perder jornadas inteiras. A segunda intensifica o controle de presença quando o crescimento está concentrado em uma unidade atingida por chuvas e interrupção de transporte. A terceira atribui as faltas à “baixa responsabilidade”, quando a decomposição revela jornada suplementar sistemática, baixa previsibilidade de escala e rotatividade elevada como fatores estruturais. Nos três casos, a intervenção seria tecnicamente correta para um fenômeno que não é o dominante. É um erro de diagnóstico gerencial: agir sobre o indicador observado (a taxa agregada) em vez de identificar o mecanismo que o produz (a dimensão de indisponibilidade predominante). O que precisa ser registrado, e o que não precisa A empresa não precisa, e não deve, ter acesso a detalhes clínicos que a gestão não exige. Precisa de categorias suficientes para gerir: duração, frequência, unidade, função, turno, tipo geral de ausência, previsibilidade, relação com cuidado de terceiros, barreira territorial, recorrência, impacto sobre a equipe e padrão de retorno ou reincidência. Os agrupamentos devem ser amplos o bastante para proteger a privacidade individual; a granularidade analítica não pode ser obtida às custas da identificabilidade das pessoas. Esse registro deve observar a LGPD (Lei 13.709/2018), em especial os princípios da finalidade, da necessidade e da segurança (art. 6º). Dados de saúde são sensíveis (art. 5º, II), e seu tratamento só pode ocorrer nas hipóteses do art. 11, o que exige finalidade específica, hipótese legal adequada, coleta limitada ao necessário e medidas de proteção. Para a gestão, convém priorizar informações não clínicas e agregadas. O dado sobre cuidado que raramente aparece A PNAD Contínua investiga, além do trabalho remunerado, o cuidado de pessoas e os afazeres domésticos, e mostra que essas responsabilidades se distribuem de forma desigual entre mulheres e homens na organização do tempo das famílias brasileiras. Em 2022, entre as pessoas ocupadas, as mulheres dedicaram em média 17,8 horas semanais a afazeres domésticos e/ou cuidados de pessoas, contra 11,0 horas dos homens (IBGE, 2023). Isso não autoriza concluir que toda ausência de trabalhadoras venha do cuidado, o que seria uma extrapolação indevida de um dado populacional para inferências individuais. Autoriza, sim, reconhecer que a disponibilidade laboral depende de mais fatores do que a saúde do próprio empregado. A pergunta estratégica que a taxa global não responde Uma taxa agregada diz quanto tempo foi perdido. Não diz por quê, por quem, em qual contexto, se era evitável, que resposta seria adequada, nem que efeito a ausência teve sobre quem permaneceu trabalhando. A função de um observatório é trocar a contagem indiferenciada por uma leitura causalmente prudente e operacionalmente útil. Quando fenômenos distintos recebem o mesmo nome, a organização para de investigar causas e passa a administrar um total, o que é gestão de sintoma, e não de risco. Avaliação das fontes citadas neste artigo Fonte citada O que a fonte permite afirmar Limite metodológico / o que ela não permite concluir PNAD Contínua (IBGE): Outras formas de trabalho 2022 Pesquisa por amostra probabilística

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O Brasil produz muitos dados sobre trabalho. Ainda produz pouca inteligência sobre a saúde de quem trabalha.
ESTRATÉGIA E TECNOLOGIA
Helenice Martins

O Brasil produz muitos dados sobre trabalho. Ainda produz pouca inteligência sobre a saúde de quem trabalha.

O Brasil não sofre de escassez de dados sobre emprego, previdência, acidentes, doenças, assistência à saúde e características demográficas da população trabalhadora. O que falta é unidade de finalidade: cada sistema de informação foi desenhado para operacionalizar um objetivo específico, seja administrativo, assistencial, de vigilância ou estatístico, e não para reconstruir trajetórias individuais. Daí uma assimetria estrutural. É tecnicamente mais fácil contar eventos isolados, como uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), um benefício previdenciário, uma notificação compulsória ou um atendimento assistencial, do que compreender como esses eventos se relacionam ao longo da vida laboral de uma mesma pessoa. O desafio da saúde do trabalhador hoje não é produzir mais dados. É transformar dados fragmentados em inteligência capaz de orientar prevenção, gestão e decisão. O problema não está na ausência de dados, mas na falta de interoperabilidade conceitual. O emprego formal é observado pelos sistemas trabalhistas. Os acidentes comunicados aparecem nos registros previdenciários. Parte dos agravos relacionados ao trabalho é notificada nos sistemas de vigilância em saúde. A utilização assistencial pode ser observada no Sistema Único de Saúde (SUS), na saúde suplementar ou em sistemas corporativos internos. A população, o trabalho e as características socioeconômicas aparecem nas pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cada uma dessas fontes foi construída para cumprir uma finalidade específica e, por isso, tem população de referência, critérios de inclusão, periodicidade de atualização, unidade de análise e objetivos próprios. Compará-las diretamente, sem harmonização metodológica, pode produzir interpretações equivocadas. O desafio, então, não é só integrar bancos de dados. É entender que diferentes sistemas descrevem dimensões distintas da realidade. Por que um registro administrativo não representa toda a realidade Registros administrativos existem para viabilizar processos institucionais, jurídicos ou assistenciais. Não foram concebidos para reconstruir, de forma completa, a história de adoecimento de uma população. As fontes citadas aqui têm naturezas distintas, e cada natureza impõe seus próprios limites de interpretação. A CAT e os benefícios previdenciários são registros administrativos. O Sinan integra a vigilância epidemiológica. A PNAD Contínua é uma pesquisa amostral. A CAT, por exemplo, registra uma comunicação formal relacionada a acidente ou doença ocupacional e depende de que essa comunicação seja emitida. Pelo art. 22 da Lei nº 8.213/1991, a obrigação de comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social é da empresa ou do empregador doméstico. Na falta da comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, sem que isso exima a empresa da responsabilidade pelo descumprimento da obrigação. Os benefícios previdenciários registram concessões feitas segundo critérios administrativos e legais de elegibilidade, e não a totalidade dos eventos relacionados à saúde do trabalhador. O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) reúne notificações compulsórias definidas pela vigilância epidemiológica. No Espírito Santo, porém, o registro seguiu outro caminho: segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SESA-ES), o e-SUS Vigilância em Saúde (e-SUS VS) substituiu o Sinan no estado; em 2023, o Sinan ainda era utilizado por outros estados. É no e-SUS VS que os serviços de saúde, públicos ou privados, devem notificar acidentes e doenças relacionados ao trabalho, e essa notificação não exclui a emissão da CAT, pois os dois documentos têm finalidades distintas. A Nota Técnica NESIS/SESA nº 03/2026 trata o e-SUS VS como a ferramenta de registro em tempo real das notificações e estabelece travas automáticas para os prazos de registro retroativo. Essa diferença resume o argumento do artigo: uma mesma finalidade, a notificação compulsória, pode ser operada por sistemas distintos em estados distintos, o que exige conhecer a origem de cada dado antes de qualquer comparação. Já a PNAD Contínua investiga ocupação, jornada, rendimento, afazeres domésticos e cuidado de pessoas por meio de uma pesquisa amostral, construída segundo princípios estatísticos próprios. Entre o fenômeno real e o registro disponível para análise existe uma cadeia de dependências. O problema precisa ser percebido pelo trabalhador. O trabalhador precisa acessar um serviço de saúde. O profissional precisa reconhecer aquele evento. A instituição deve classificá-lo corretamente. O evento precisa atender aos critérios formais de inclusão da base. O registro deve ser preenchido adequadamente. A informação precisa chegar ao sistema. E, por fim, esse sistema deve disponibilizar o dado para análise. Cada etapa dessas é uma oportunidade de perda informacional. Do ponto de vista epidemiológico, isso configura diferentes mecanismos de viés de detecção e subnotificação. Ou seja: a ausência de registro não pode ser lida, automaticamente, como ausência do fenômeno. A trajetória que os sistemas fragmentam Pense num trabalhador que começa a sentir dor persistente. No início, ele adapta por conta própria a forma de executar algumas tarefas, passa a tomar analgésicos sem orientação, evita as atividades mais pesadas, tem pequenas faltas, procura atendimento em momentos esparsos e recebe orientações diferentes em serviços diferentes. Meses depois vem o primeiro afastamento formal. Daí em diante pode haver mudança de função, limitação laboral, reabilitação ou até aposentadoria por incapacidade. Cada um desses eventos pode estar registrado em algum lugar. Mas dificilmente estarão conectados entre si. O sistema de folha enxerga o absenteísmo. O prontuário assistencial registra consultas. A operadora de saúde registra procedimentos. O INSS registra benefícios. A empresa registra mudanças de função. A vigilância epidemiológica pode registrar um agravo. Cada sistema descreve apenas um capítulo dessa história, e a inteligência em saúde precisa reconstruir o livro inteiro. É por isso que análises centradas só no afastamento acabam ignorando justamente a fase em que a prevenção seria mais efetiva. Reconstituir esse percurso para uma mesma pessoa exige vincular registros individuais de diferentes sistemas, o que depende de identificadores comuns, de base legal e de salvaguardas para o tratamento de dados pessoais de saúde. A análise de dados agregados cumpre outra função: identifica padrões e diferenças entre grupos, setores e territórios, mas não reconstitui percursos individuais. Cobertura informacional desigual entre grupos de trabalhadores Nem todos os trabalhadores deixam a mesma quantidade de rastros informacionais. Empregados formais costumam aparecer ao mesmo tempo em vários registros administrativos. Já quem

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