As dimensões da qualidade em saúde são uma base para avaliar o desempenho de qualquer organização que busca excelência em gestão. Esses conceitos não são apenas orientados para melhorias contínuas, mas também refletem o compromisso com um cuidado mais eficaz, humano e sustentável. Baseados nos princípios de AvedisDonabedian e da Organização Nacional de Acreditação (ONA), essas dimensões constituem um guia indispensável para qualquer instituição de saúde. Vamos explorar cada uma delas com mais profundidade.
1. Eficiência
A eficiência em saúde envolve o equilíbrio entre os benefícios oferecidos e o custo gerado pelo cuidado. O objetivo é sempre proporcionar o melhor resultado possível com o mínimo de desperdício de recursos. Em termos práticos, isso significa “produzir mais e melhor, com menos”. Um exemplo que ilustra bem essa dimensão é a adoção de tecnologias como a cirurgia robótica, que, ao mesmo tempo, oferece mais precisão e reduz complicações e tempo de recuperação.
2. Eficácia
Ser eficaz é atingir os objetivos propostos com resultados sólidos e comprovados. Em saúde, isso significa garantir que as disciplinas realmente melhorem o bem-estar dos pacientes, utilizando as melhores práticas disponíveis. A eficácia reflete o melhor que se pode fazer nas condições ideais.
3. Efetividade
Já a efetividade avalia o impacto real das ações no dia a dia, em condições práticas e fora dos ambientes de pesquisa. Ela mede se as estratégias empregadas transformam positivamente a vida dos pacientes e o funcionamento da organização. É sobre ver resultados reais, em situações reais.
4. Equidade
A equidade é o compromisso de garantir que todos, independentemente da sua condição social, económica ou de saúde, tenham acesso a cuidados justos e adequados. Na prática, isso significa tratar desigualmente os desiguais, priorizando aqueles que mais se reúnem dos serviços de saúde.
5. Otimização
A otimização se refere à melhor utilização possível dos recursos, garantindo que os benefícios gerados justifiquem os custos. Quando uma estratégia de saúde atinge um grande número de pessoas com um custo razoável, isso é considerado otimização. O desafio é sempre maximizar os resultados sem perder o equilíbrio entre custos e benefícios.
6. Aceitabilidade
Para que o cuidado de saúde seja bem-sucedido, ele precisa ser aceitável para o paciente. Isso envolve a adequação do tratamento aos desejos e expectativas do paciente e de sua família. Fatores como acessibilidade, bom relacionamento com os profissionais e comodidade são fundamentais para aumentar a satisfação e o engajamento no plano de cuidado.
7. Legitimidade
A legitimidade vai além das limitações: é ser reconhecido pela sociedade e pelas partes interessadas como uma instituição confiável e respeitada. Isso é conquistado por meio de um trabalho transparente, ético e que corresponde às expectativas sociais.
8. Integralidade
A integralidade trata da visão do ser humano como um todo. O cuidado deve ser contínuo e completo, englobando ações preventivas e curativas, sempre direcionados às necessidades específicas de cada indivíduo. Aqui, a saúde é vista como um direito, e o paciente é colocado no centro de todas as decisões.
Ao aplicar essas dimensões na prática, as organizações de saúde se aproximam da excelência. O compromisso com a eficiência, eficácia, equidade e demais pilares não gera apenas uma melhor qualidade de vida para os pacientes, mas também uma gestão mais sustentável e inovadora.
Referências: DONABEDIAN, A. Os sete pilares da qualidade. Arquivos de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 11, pág. 1115-1118, 1990
SISTEMA BRASILEIRO DE ACREDITAÇÃO. Manual Brasileiro de Acreditação: Organizações Prestadoras de Serviços de Saúde – São Paulo: Organização Nacional de Acreditação, 2018
TORRES, MC; TORRES, AP Balanced Scorecard. Rio de Janeiro: editora FGV, 2014
TRUPPEL, CT Planejamento e gestão estratégica em instituições de saúde com o uso do Balanced Scorecard e Key Performance Indicators. 45 f. Monografia (MBA em Administração: Executivo em Saúde) – Fundação Getúlio Vargas (FGV). Curitiba, 2019